quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Lhamas: uma de minhas quase compulsões fotográficas

A Anakira, de Curitiba, comentou que as lhaminhas acima
parecem "periguetis" num baile funk.

Fiz carinho nela, mas a bichinha só queria saber de rangar a grama...

Dias atrás comentei de meu bem querer por pinguins. Além deles, outro animal que adoraria ter em casa seria a lhama. Para compensar um pouco a falta desses meus frustrados objetos de desejo do mundo animal, pelo menos posso tê-los no formato fotografia, em meu computador...aliás, tenho verdadeira fixação por lhamas. Cada vez que piso no altiplano tanto do Peru como da Bolívia, saio fotografando um monte delas como se fosse a primeira vez, dos mais variados ângulos possíveis. É quase uma compulsão incontrolável... dia desses acabo montando uma exposição fotográfica só com imagens desses bichinhos paradoxalmente tão esnobes e simpáticos.

As fotos acima foram tiradas nas ruínas de Macchu Picchu. As lhamas passeiam por ali na maior tranquilidade, pastam (são as cortadoras de grama oficiais daquelas ruínas), sobem e descem escadarias com destreza, não se importando com o intenso vai e vem de turistas. Aliás, uma delas quase cometeu a ousadia de pisar no meu pé, durante uma descida meio lotada tanto de lhamas como de pessoas.

Às vezes tenho a impressão que elas olham para nós e pensam: " O que será que todos os dias esses animais estranhos com um troço nas costas e outro nas cabeças vem ver aqui?"

Crédito das fotos: a primeira, eu. A segunda, Humberto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Imaginem o cerrado cheio de neve

Chega setembro. Em Brasília, ele vem este ano de uma maneira deliciosamente estranha: com os gramados da cidade já razoavelmente verdes em virtude de benfazejas chuvas temporãs ocorridas em agosto. Para quem não conhece o DF, explico: chover em agosto por aqui é algo raríssimo, fato que beirava o impossível. Com muita sorte, em alguns anos, a gente chegou a ver uns breves chuviscos, mas mesmo esses eram motivo para estranheza. A chuvona mesmo, pra valer, só costuma aparecer lá pelo final de setembro ou outubro, por aí....este ano, fomos premiados.

Já que choveu forte em agosto neste rincão, agora torço para que venha uma bela nevasca no próximo inverno. O cerrado todo branquinho ficaria muito bonito, não acham?

domingo, 30 de agosto de 2009

Confissões de uma estudante de violino


Uma das músicas que estou estudando atualmente é um trecho das Bachianas nº 5, de Villa-Lobos. Quando comecei violino, pensei: uma das que faço questão de aprender é essa. Desde o semestre passado, resolvi que iria encará-la de frente e pedi ao professor Kalley Seraine para me passar uma partitura dela. Pouco a pouco, fui entrando em seu universo, degustando notinha por notinha como quem toma um bom vinho numa noite fria. Fui me dando conta da complexidade dessa música, composta por trechos com compassos diferentes entre si e vários acidentezinhos. Uma criação nada óbvia de um gênio brasileiro da música.

Com o passar do tempo, minhas mãos e meu cérebro vão chegando num acordo (eita briga ferrenha essa!) para produzir a parceria de Villa-Lobos com a Sil. Sim, cometo a ousadia bakthiniana de dizer parceria pois acredito que, mesmo reproduzindo uma música criada por outra pessoa, acabo imprimindo minha interpretação pessoal nesse fluir não só de sons, mas também de imagens evocadas por eles. É uma aventura difícil, que requer disciplina, teimosia e muita vontade de fazer, mas intensamente fascinante.

Costumo pensar uma música que estudo como uma bela peça de tricô ou crochê, que vai sendo tecida dia após dia ou como o antigo processo de revelação fotográfica no laboratório, no qual a gente vai chacoalhando a bandeja repleta de produtos químicos e a imagem vem aparecendo gradativamente no papel ao fundo do recipiente: a "apoteose" da obra vem aos poucos.

No início, a gente vai se acostumando com as notas como se fossem pequeninos e poderosos seres....depois, de tanto praticar, começa a ter intimidade com a música e a "domar" esses seres, aparentemente rebeldes. Aí então, vai percebendo na música suas frases, suas perguntas, suas respostas, enfim, seu diálogo interno, seu diálogo com quem a está interpretando e depois com o público.
Como diz minha amiga Rose, de São Paulo, "Aprender violino é arrebatar-se do cotidiano e aproximar-se do divino".

Crédito da foto aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Uma loirona peruana para os meninos nesta sexta musical!







Depois do ai ai ai geral da mulherada na semana passada pelo Pedro Suarez Vértiz e Juan Diego Florez, darei uma colherzinha de chá para os meninos nesta sexta musical do Esquina da Sil. Atendendo a pedidos vigorosos do Daniel Sávio que tanto queria ver uma bela cantante peruana neste espaço, aqui vai a Anna Carina Copello, uma das representantes do pop de lá. Muitos devem estar estranhando a peruana loira. Mas sim, elas também marcam presença naquelas bandas. Na verdade, esse é um país muito diversificado etnicamente, embora o estereótipo que predomine seja o do indígena.

Humberto escolheu a foto aí acima dela e eu, o vídeo. Gostaram?


Crédito da foto: http://www.myspace.com/annacarinaspace

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tomando "Cocawell" em Arequipa

A tal da Cocawell...vai um pouquinho aí? Atrás, a cara de espanto de Rui pensando:
"Será que até isso ela vai provar por aqui?!"
Nossa leitura de bordo, para o próximo sobrevoo no deserto de Nasca...

Depois de passar por Nasca e Paracas, fomos a Arequipa, la ciudad blanca. Lá, encontramos coisas úteis para a próxima vez que fizermos o "Pacote Turístico das Náuseas II - O Retorno". Como por exemplo, o livro "La Nausea", de Jean Paul Sartre. Segundo o Rui, leitura de bordo bem propícia para os sobrevoos nos desenhos gigantes e linhas de Nasca. No supermercado, achei uma bebida feita à base de Coca chamada "Cocawell". O rótulo dizia que era bom para os sintomas do mal das alturas. Como adoro provar coisas novas, resolvi comprar uma garrafinha da dita cuja para experimentar. O livro acima eu não li, então não posso avaliar. Mas a tal da "Cocawell" posso falar...

Detestei! A bebida tem um sabor tão estranho que não dá nem para explicar. E essa minha frase pode chocar a muitos que me conhecem, pois costumo gostar de coisas bem exóticas...porém, essa daí nem eu gostei. Rui experimentou também e quase vomitou. Humberto tomou um golinho e também fez aquela cara de desgusting...A tal da "Cocawell" deveria se chamar "Cocabad", isso sim...

Enfim, só não joguei o conteúdo fora porque eu estava com sede e não gosto de desperdiçar bebidas. Aproveitei e tomei tudinho. Até guardei a garrafinha vazia como souvenir, ela agora está em cima de minha geladeira. Se funcionou? Ah, não sei...em Arequipa (2 mil e poucos metros) já começamos a sentir alguns sintomas de Soroche (Mal das Alturas), mas bem leves. A barra pesada mesmo para mim foi em Copacabana, na Bolívia (praticamente 4mil metros), como já contei aqui no Blog. Não dá para avaliar... só sei que, pelo menos para mim, nada substitui o velho e bom chá de coca nas grandes altitudes ou a própria dita cuja in natura, bem mascada...A tal da "Cocawell" é pós-modernidade demais para meu paladar...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ilhas Ballestas: encantada com pinguins e leões marinhos

Vejam que pele bonita...esqueci de perguntar que óleo hidratante usam :)

Meio difícil fotografar os pinguins, pois eles se confundiam muito com as rochas...

O famoso Candelabro: até hoje ninguém tem certeza de porque ele está ali...
Detalhe: foi desenhado na areia, nessa encosta aí da foto e está assim
há séculos...o vento não pega naquele local.
Humberto com um dos grandes mistérios da humanidade à esquerda.
Além do episódio de "mareos" no sobrevoo no deserto de Nasca, houve também outros. Aliás, o sul do Peru é pródigo em Paquetes turísticos de mareo (Pacotes turísticos de Náuseas). Porém, parece que o encantamento supera qualquer mal estar... No dia seguinte, fomos a Paracas, no litoral, para fazer o passeio às Ilhas Ballestas, que dá mais ou menos meia hora de barco a motor para ir e meia hora para voltar.

No início, não senti nada. Só ia curtindo a paisagem, estava tudo tranquilo. Quando chegamos próximo às pequenas ilhas, o barco, já mais devagar, começou a jogar para um lado e para outro, para um lado e para outro. Comecei a sentir algum mareo de novo. Desta vez, literalmente no mar... pensei: "Ah, não, de novo?!" Para enganar minhas próprias sensações, comecei a fazer que nem vários outros turistas estavam fazendo: fiquei em pé no barco e comecei freneticamente a bater várias fotos de leões marinhos, pinguins e outras aves que estavam por lá ou então fazer pequenas filmagens para me distrair.

Os barcos rodeiam as Ilhas Ballestas, e a gente vai curtindo o lugar, os animais em seu próprio habitat. Os primeiros leões marinhos que consegui fotografar parecia que ainda dormiam largados nas rochas. Tive a impressão que eles tinham ido pra alguma farra à noite e estavam curtindo uma ressaquinha básica. Depois, consegui fotografar alguns mais despertos, como os da foto acima. Fiquei enlouquecida quando vi vários pinguins ali pertinho dos leões marinhos. Queria levar todos para minha casa (criar pinguim em Brasília, no calorão? Ah, esquece...). Vi o momento em que um deles, muito bonitinho, tentava escorregar graciosamente da rocha para a água. Milhares de aves sobrevoavam as grandes rochas, numa linda coreografia. Perdi a noção de tempo, mas talvez os barcos tenham gastado uns 40 minutos por ali.

Na volta ao continente, surpresa: um bando enorme de pássaros fazendo um feliz barulhão apostavam corrida com nosso barco, sobrevoando ao nosso lado. Em certo momento, parecia que estávamos na mesma velocidade. Porém, depois, os bichos aceleraram e o barco acabou perdendo a corrida.

Amei esse passeio. E no final das contas, o mareo, desta vez em menor grau, ficou controlado. Eu tinha até planejado vomitar bem para fora do barco, caso fosse inevitável o ato. Assim, pelo menos, eu alimentaria os peixes...viva a reciclagem! Porém, meu encantamento com o lugar e a vontade de levar os pinguins para casa acabou me distraindo e, pelo menos daquela vez, os peixes de Paracas ficaram sem uma iguaria extra...

Um link sobre o Candelabro:

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobrevoando o deserto de Nasca, no Peru

Essa é mais uma da série "O que estou fazendo aqui?!"

Meus amigos e familiares mais próximos sabem muito bem como não gosto de aviões. Um dos posts mais recentes da Gisele me fez lembrar de meu próprio medo. Não deixo de viajar mas fico religiosa pra caramba quando estou dentro daqueles ônibus voadores...rezo quase o tempo inteiro enquanto estou lá em cima. A sorte é que a paisagem pela janelinha vai me ajudando a distrair um pouco e minha estratégia de ficar com os pés não diretamente no chão do avião, mas encostados nas laterais também me ajuda muito.

Imaginem então como fiquei quando voei com Humberto e Rui numa daquelas miniaturas de avião por cima do deserto de Nasca, no sul do Peru...nem sei como tive coragem. O pior é que é a segunda vez que faço isso. A primeira vez que vi lá de cima os grandes desenhos e linhas daquele deserto foi em 2006. Só que naquele ano o sobrevoo que fizemos foi bem mais tranquilo: a avioneta, uma ainda menor, balançou bem pouco. Desta vez, ela balançava bastante, levando meu estômago junto nesse movimento...

Sorte que o sobrevoo dura de 20 a 30 minutos mais ou menos. Enquanto isso, eu driblava um certo mal estar prestando atenção nos grandes desenhos. Além de náuseas, ficava com receio de meu mal estar materializado sair não apenas pela boca, mas também por outra via...afinal, só havia saquinhos para vômito na aeronave, mas não fraldas para adulto...

O mais engraçado é que o Manoel, piloto de nosso aviãozinho, era super animado. Como além de nós havia também mais dois turistas, um rapaz de língua inglesa e uma garota de língua castelhana, cada vez que se aproximava de um desenho, como por exemplo, a baleia, gritava o nome de maneira trilíngue, a plenos pulmões: LA BALLENA, LA BALLENA! THE WHALE, THE WHALE! A BALEIA, A BALEIA! (Ele havia nos contado antes que chegou a trabalhar na Varig no norte do Brasil anos atrás, então falava alguma coisa de português).

Cada piloto que maneja uma avioneta destas dá uma volta pela esquerda e outra pela direita em torno de cada um dos desenhos de Nasca. Isso tudo com o aviãozinho voando meio deitado para que todos possam tirar fotos ou filmar...daí vocês tiram o tamanho de nosso mal estar que, pelo menos em mim, ainda piorava um pouco com a gritaria do piloto. Porém, para o Rui, que também já estava bem mareado, foi pior: como se sentou na frente, ao lado dele, volta e meia Manoel dava uns tapinhas em suas costas perguntando: " E aí, tudo bem?" Rui se segurando para não usar o saquinho e o piloto fazendo isso...o painel de controle estava correndo um sério risco de terminar a viagem todo sujo...Para completar nosso estado de caos, às vezes dava para ver o animado Manoel sem as mãos no manche...por isso, em certo ponto da viagem eu parei de olhar para a frente...

Já perto do final de nossa aventura, não me aguentei mais, peguei o saquinho e mandei ver. Justamente nessa hora Humberto se virou para me filmar, sem saber que eu já estava naquela situação. O interessante é que, como havia comido muito pouco naquela manhã, vomitei pura água. Saiu água até de meus olhos sem chorar...Rui também fez uso de seu saquinho, já não lembro se foi pouco antes ou pouco depois de mim. Humberto, que em seu primeiro sobrevoo havia ficado meio ruinzinho, desta vez estava bem e firme. Ainda bem, pois alguém tinha que cuidar de mim e do Rui. Humberto até conseguiu fazer várias filmagens lá de cima, coisa que da primeira vez foi impossível.

Apesar dos apertos, fazer esse sobrevoo é inesquecível. Pra mim, o interessante é que como desta vez o avião voou bem mais baixo, consegui identificar de perto os montinhos de pedra que formam os desenhos e linhas daquele deserto. Da outra vez, não consegui pegar esse detalhe. Antigamente, eu achava que eles eram formados por escavações no solo do deserto.

Quem quiser mais informações sobre os desenhos e linhas de Nasca, um dos maiores mistérios da humanidade, é só acessar os links abaixo ou então procurar no Google.

- Linhas de Nasca

- Nasca y sus lineas

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sextas musicais em meu blog: Juan Diego Florez e Pedro Suarez Vértiz!







Aí, pessoal, segundo o prometido ontem, lá vão os dois vídeos. O primeiro acima, do Juan Diego Florez cantando "Ave Maria" e o segundo, do Pedro Suarez Vértiz cantando "Como las Mariposas". Ainda não achei nos Youtubes da vida o videoclipe da música "Nadia", no qual Juan Diego faz uma participação especial nessa música de Vértiz. Porém, ela está aqui na Esquina da Sil, à esquerda, em minha parada de sucessos. É só procurar a canção e escutá-la.

Aqui, uma matéria sobre o Juan Diego Flores.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Pra curar a falta de inspiração dois gatos peruanos talentosos no pedaço!

Ia fazer uma gracinha nessa foto, mas acho
que ela já está bem óbvia para as leitoras, né...
Esta semana minha falta de inspiração para escrever está de lascar...por isso, hoje resolvi botar aqui foto de dois peruanos talentosos e guapos para ver se me animo. O lá de cima, segundo a própria foto indica, é o Pedro Suarez Vértiz, cantor popular que marca presença com algumas de suas músicas na parada de sucessos do Esquina da Sil, aí à esquerda. O de baixo é o Juan Diego Flores, considerado um dos melhores tenores do mundo e, segundo alguns especialistas, o sucessor de Luciano Pavarotti. Recentemente, Flores fez participação especial numa música de Pedro, criando um bonito encontro entre o popular e o clássico.
Amanhã, sexta, dia de vídeos musicais em meu blog, vou postar um vídeo de cada um, pra alegria da Lilly.

Crédito da foto de Juan Diego Flores aqui.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009