domingo, 21 de junho de 2009

Direto de Copacabana, Bolívia

Nosso cotidiano diário de viajante está tão movimentado que fica difícil escrever seguindo uma ordem cronológica dos fatos. Comecei tentando fazer isso mas realmente não dá. De agora em diante vou hipertextualizar geral...

Agora, estou escrevendo do quarto do hostal onde estamos. Guardarei o texto num arquivo para "despejá-lo" no blog na próxima vez que passarmos em uma lan house ou que dermos a sorte de acharmos alguma Wi-fi dando sopa. Estou aproveitando um momento de intenso cansaço físico para botar em dia por escrito algumas de nossas aventuras.

A causa desse cansaço extremo foi que me "obrigaram" a subir duas montanhas hoje,logo no dia de meu aniversário. Paguei todos os meus pecados já cometidos e também, por antecipação, mais alguns que cometerei, tal o sacrifício. Para quem acha que estou exagerando, lembro que estamos a mais ou menos 3.800 metros de altitude e tanto eu como Humberto e Rui ainda estamos nos readaptando a essa condição geográfica e aos poucos nossos organismos estão deixando os sintomas do Soroche (mal das alturas) que nos incomodava desde Arequipa, no Peru, cidade com 2000 e poucos metros.Chegamos aqui com dores de cabeça e falta de ar. E eu ainda com náuseas e dor no ouvido esquerdo. Enquanto subíamos uma ladeira com os mochilões e mochilas para chegar ao Hostal, pensava que ia vomitar. Mas enfim, resisti bravamente. Quando chegamos aqui, me senti como um andarilho do deserto que vê um oásis: tirei às pressas o mochilão das costas e a mochila do peito, corri pegar uma caneca com chá de coca e me espalhei num dos sofás.


Enquanto Humberto e Rui pegavam as chaves dos quartos eu tomava com sofreguidão aquele chá como se fosse a coisa mais gostosa do mundo. O chá de coca ajuda a amenizar os sintomas do Soroche e do cansaço, o gosto não é lá essas coisas, mas seus efeitos são uma beleza. Quando terminei a primeira caneca, enchi uma segunda, sem dó nem piedade,mandei ver mesmo.No dia seguinte, por garantia, ainda comprei na farmácia o Soroche Pills, um comprimido que também promete amenizar os efeitos da altitude.

Sinceramente, achei que não seria capaz de subir as montanhas. Quando terminamos essas nossas travessuras de hoje e já estávamos de novo lá embaixo, quase não acreditei quando olhei para cima e vi a distância que percorremos tanto nas subidas como dentro da cidade, de uma montanha a outra. Para vocês terem uma idéia, subir uma simples ladeira da cidade já é cansativo. Imaginem ousar escaladas!Agora estou pensando de onde a gente tira tanta força para fazer essas estrepolias, mesmo com asma e problemas afins...

Isso ainda não descobri. Só sei que tenho muito carinho para com essa cidadezinha aqui da Bolívia. A grande pobreza material de seus habitantes contrasta com a magnífica riqueza cultural deste pueblito e de suas belezas naturais. Andamos por várias ruas de Copacabana observando o cotidiano de seu povo. Passaria horas a fio fazendo isso. Confesso que me encanta demais estar caminhando pelas mesmas calles que as cholas com seu modo de vestir peculiar (grandes saias, chapeuzinhos, mantas e longas tranças negras). Me encantam também as criancinhas de pele morena que mais parecem bonequinhas de tão encapotadas por conta do frio. Olho para a boa gente de Copacabana e fico a torcer e a rezar para que, com o passar do tempo, tenham uma vida melhor, menos sofrida e mais digna.

Quanto ao episódio em si de subida das montanhas, houve um fato ultra pitoresco no final que vou deixar para o Rui escrever. Aguardem!

PS: Escrito em Copacabana, Bolívia, em 20/06 e postado em 21/06 em La Paz, Bolívia.

Um comentário:

Fabiana disse...

Fiquei com falta de ar e tontura só de ler.... risos.... Brincadeiras a parte, imagino q deva estar muito gostoso o passeio... Divirtam-se e cheguem sãos ao Brasil... :-)

Beijos