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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Rumo à cidade do buraco dos mineiros

Daqui a pouco pegamos o ônibus para a cidade de Copiapó, já na região do Deserto do Atacama. Por aqui, além do frio, hoje veio também a chuva para complementar o cenário. Estamos cansados e com sono, estou louca para me instalar no ônibus e dormir um monte!

Copiapó é a cidade perto do buraco onde 33 mineiros ficaram presos no ano passado. Diz Humberto que quer se enfiar lá dentro para ver como é. Porém, curiosidade tem limites, né (ou deveria ter). Fiquem tranquilos, não permitirei tal ato de loucura...

Os strip teases diários em Santiago

O paradoxo do gelo e do sol juntos: foi o que vivemos anteontem, quando nos aventuramos pelo Cerro Colorado, uma estaçao de Ski que fica a cerca de uma hora de Santiago. O lugar é lindo, quando a preguiça e a conexao de internet assim o permitirem, postarei algumas fotos aqui no blog para compartilhar essa beleza natural com vocês. Foi até engraçado: a princípio, pensávamos que iria sentir frio lá em cima. Que nada: em alguns momentos, sentíamos o sol queimar nossos rostos e tínhamos que passar filtro solar várias vezes para evitar maiores danos.

As aparências enganam...quem diria. Ontem, sentimos mais frio andando pelas ruas de santiago do que là em cima, no cerro cheio de gelo. A temperatura anda baixando drasticamente. A mínima aqui anda por volta de zero grau ou um grau e a màxima, em torno de uns 14 graus. Eu e Humberto adoramos frio. Porém, há uma coisa bem chatinha no cotidiano de uma cidade onde faz bastante frio: o exercício diário de vários "strip teases" . Nao, nao se trata de nenhuma terapia sexual. Explico melhor: é que, se você está na rua, naturalmente está todo encapotado. Porém, ao entrar em vários espaços fechados, tem que sair tirando quase todas as blusas e casacos, senao torra de tanto calor por conta da calefaçao...é um tal de tira roupa, poe roupa que você pode chegar a se entediar...eu preferiria que fosse frio em todos os lugares logo de uma vez, assim nao teríamos esse trabalho.

Bom, amanha provavelmente tomaremos um onibus para o deserto do Atacama. Quando der, darei mais notìcias. Aguardem!

PS: Como hoje estou escrevendo de um cyber café porque a internet wi fi do hostal onde estamos deu pau, nao tenho como botar os acentos til das palavras aqui, antes que alguém me pergunte....

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Não sei quem tremia mais: o avião ou eu?!

De Santiago, Chile

Fiquei muitos dias sem escrever, por conta de tarefas a serem realizadas antes da viagem. Agora, volto à carga (ou à descarga?!) aqui de Santiago do Chile, cidade a qual chegamos uma da madrugada, depois do voo mais turbulento de nossas vidas. Não, não é apenas maneira de falar...realmente o negócio foi bem bravo, fiquei até com vontade de "pegar o piloto na saída"...puxa vida, com tanta tecnologia hoje em dia, bem que ele poderia ter feito desvio de rota pra escapar daquele festival de malabarismos aeronáuticos a não sei mais quantos quilômetros de altura. Bom, sou leiga no assunto, mas fica aí meu desabafo. Afinal, não sabia quem tremia mais: se eu ou o próprio avião. Pra piorar as coisas, teve um momento específico que olhei para Humberto e o coitado estava com uma cara de medo de dar dó. Logo ele, que costuma ser mil vezes mais corajoso do que eu....um garotinho que sentava à nossa frente chegou a vomitar. Dava para sentir no ar uma tensão bastante pesada: é incrível a energia do pânico coletivo e dos gritos silenciosos.

A aeronave chacoalhava da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo e de baixo para cima. Perdemos a noção de quanto tempo durou essa parte pior das turbulências: quarenta minutos? Uma hora? Só sei que foi no sobrevoo sobre o estado do Paraná porque a coisa começou a ficar bem feia depois que o piloto anunciou que estávamos passando bem perto de Curitiba. Depois que passou tudo, veio uma calmaria tão boa que às vezes, desconfiava, pensava: será que o mau tempo vai voltar novamente? Mais ou menos uma hora antes de chegar a Santiago, não é que apareceram de novo algumas turbulências? Não tão fortes quanto as primeiras, mas eram chatinhas. No entanto, como via aeromoças andando pelo corredor distribuindo aos passageiros os formulários a serem preenchidos e entregues no momento de carimbar os passaportes no aeroporto, provavelmente aquelas eram turbulências "normais" do percurso. Menos mal. Eu torcia fervorosamente pra gente sobrevoar logo a Cordilheira dos Andes por dois motivos: porque Santiago fica ao lado de parte delas e porque, da primeira vez que estivemos no Chile, em 2008, quando o avião começou a sobrevoa-las, a turbulência passou como que por encanto, e o voo ficou macio, gostoso. Era de noite, mas eu buscava sofregamente com o olhar, pela janelinha do avião, a imensidão branca, em busca da paz...

Dito e feito: quando chegamos em cima das montanhas geladas, a tão esperada calmaria. E, em alguns minutos, aterrissamos na tão esperada Santiago. Ao sair do aeroporto, eu estava ainda tão quente de nervoso que nem cheguei a sentir a temperatura de zero grau que fazia aquela hora. Fui senti-la já dentro do quarto do hostal, mas nada que o aquecedor não pudesse resolver.

Agora digito essas linhas de meu netbook, deitada na cama, embaixo do edredon, feliz e tranquila: pra compensar uma noite terrível, o dia hoje foi ótimo: céu super azul, com sol, friozão gostoso e muitos passeios pra alegrar o coração e o espírito. Pouco a pouco vou compartilhando nossas experiências de viagem aqui com vocês.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Violeta Parra: uma chilena multimídia



Dia 5 de fevereiro se completaram 44 anos desde que Violeta Parra foi embora. Uma de suas canções mais célebres é Volver a Los 17, imortalizada na voz da argentina Mercedes Sosa e também cantada por tantos outros mundo afora. Estava me recordando agora que em 2008, aproveitamos nossa visita ao Chile para visitar o túmulo de Violeta e também de Victor Jara em Santiago. Além da visita a seu túmulo repleto de flores deixadas por muitos admiradores, fomos também a uma exposição na qual me surpreendi ainda mais com Violeta: ela era uma mulher que também dominava outras linguagens, além da música. Conhecia algo da Violeta compositora e cantora apenas. Foi justamente nessa visita a Santiago que fiquei conhecendo um pouquinho de suas outras facetas: era também artista plástica, ceramista, bordadeira, entre tantos talentos: uma verdadeira mulher multimídia!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Em homenagem aos mineiros do Chile, uma canção do grupo illapu

Hoje resolvi "adiantar" a sexta musical da semana, em homenagem aos mineiros chilenos que estão conseguindo voltar à superfície da terra, aos engenheiros e demais pessoas que tornaram essa realidade possível. Tomara que todos fiquem bem e os governos e empresas, não só do Chile, mas do mundo afora, passem a tomar mais cuidado com as condições de trabalho de quem tem de passar mais tempo embaixo da terra do que em cima dela.   Acima, a canção "Un poco de mi vida", do grupo chileno illapu.

OBS: Para ver e ouvir o vídeo acima, não se esqueça de "dar pause" no Mixpod do blog, à esquerda.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Boas lembranças que a neve traz



Ontem recebi e-mail de uma amiga que foi passar algumas semanas na Espanha para estudar. Fiquei muito contente por ela, pois chegando lá, logo de cara, conseguiu realizar um de seus sonhos: ver neve caindo. Tomo a liberdade de transcrever aqui um fragmento de sua mensagem:

NEVOU... pela primeira vez vi neve caindo e pintando a paisagem! Bela recepção! Por isso já teria valido a pena ter vindo!

Lembrei-me que eu e Humberto passamos por nossas primeiras nevascas em 2008, só que no sul do Chile. Foi emocionante e engraçado até. Estávamos num pequeno grupo, dentro de um veículo, subindo até o sopé do Vulcão Villarica, para, a partir daí, escalar o dito cujo até onde desse. Eu estava com os olhos bem abertos para prestar atenção no início do trecho da estrada com neve. Dali a pouco, fiquei eufórica como uma criança: comecei a ver alguns "pedaços de branquinho" no chão. Mais um pouquinho só e a estrada ficou "estilo OMO" (branco total radiante!). Para minha alegria, tivemos de parar num trecho da estradinha para o motorista botar correntes nos pneus, pois estava quase impossível seguir adiante. Aproveitamos todos e descemos. Confesso que me deu aquela emoção e a sensação de "pisar num planeta desconhecido". Andei para um lado, andei para o outro, fiz bolinha de neve, joguei em alguém, até botei a dita cuja na boca, realizando um sonho de infância. Para completar, senti que "começou a chuviscar" ali. Chuviscar?! Acontece que não era bem isso o que estava acontecendo. Olhei mais atentamente para aquela "garoa estranha" e descobri que, afinal de contas, pela primeira vez na vida estava vendo neve caindo bem fininha (putz, me arrepiei com a lembrança...). Só de estar ali já estava transbordando de felicidade, confesso que nem me ocorreu a probabilidade de ver neve caindo naquela viagem, tinha a expectativa de vê-la apenas "comportada", amontoada em montanhas e vulcões.



E não é que dias depois a situação se repete, mas com muito mais intensidade no sopé do Vulcão Osorno, perto de Puerto Varas? Sabe-se lá porque vários brasileiros que estavam conosco foram se esconder na Cafeteria (!!!!). Eu e Humberto não estávamos nem aí, ficamos do lado de fora curtindo aquele espetáculo tão diferente para nós. Ao contrário da "garoazinha estranha" do Villarica, aquela do Osorno veio com força total! Foi o máximo sentir os flocões branquinhos caindo em nós e até fizemos nosso primeiro boneco de neve (outro sonho de infância realizado!).

Obrigada, amiga, pois compartilhando tuas impressões em seu e-mail você me fez lembrar também bons momentos que vivi e assim, literalmente, ajudou a esfriar minha cabeça que hoje à tarde andou meio quente.

Crédito das fotos: a de cima, Humberto. A de baixo, não lembro quem foi.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O chileno illapu em nossa sexta musical

Em 2006, depois de uma das viagens ao Peru, descobri pelo acaso esse grupo chileno. Havia comprado um CD com videoclipes de vários grupos latinoamericanos e os do illapu estavam bem no final. Para mim, foi uma grata surpresa: ainda não os conhecia e adorei cada música que lá estava. A partir daí, tornei-me fã ardorosa deles e Humberto também.

Um belo dia, lembrei-me de perguntar ao Kleiton Ramil, que também adora música latinoamericana, se já conhecia o illapu. Ele havia dito que não e então lhe mostrei algumas canções do grupo. Kleiton também virou fã deles na hora! Mas o que ninguém esperava aconteceu meses depois: ele e seu irmão, Kledir, foram convidados a cantar num mesmo show com o illapu no Memorial da América Latina, em São Paulo, em setembro de 2007. Kleiton depois me contou que havia ficado extremamente surpreso com o convite. Eu brinquei dizendo que isso não era coisa minha. Apenas foi uma coincidência meio "bruxal"...

Eu e Humberto não tivemos dúvidas, pegamos um ônibus a Sampa e assistimos ao show. Não nos arrependemos! E tomara que o illapu volte mais vezes ao Brasil, novamente dividindo o palco com grandes músicos brasileiros (se bem que naturalmente eles já fazem isso, pois o Sidney, atual baterista deles, foi importado daqui).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Victor Jara: calaram sua voz, mas dela surgiram milhares de outras





Amanhã faz 36 anos que o cantor, compositor, jornalista, professor universitário, diretor teatral Victor Jara foi assassinado, no Estádio Chile, lugar que atualmente leva seu nome. Lembro que há algum tempinho perguntei a um ex-professor meu da UnB, espanhol, se ele conhecia as músicas de Victor. Ele me respondeu, com uma divertida ironia terna: "Mas claro, ele era um de meus ídolos de infância...sou europeu, mas se esqueceu que também sou latino?!" Desde esse dia, fui pesquisar um pouco mais sobre Victor e descobri que sua música realmente havia corrido o mundo mais do que eu imaginava.

Cortaram suas mãos e calaram sua voz. Aliás, pensaram que ele havia se silenciado para sempre. Sem querer, fizeram com que dela brotassem outras milhares de vozes...

Aqui fica minha singela homenagem ao Victor. No vídeo mais acima, está ele cantando "El Derecho de Vivir en Paz". No vídeo mais abaixo, o grupo chileno Chancho en Piedra cantando uma versão roqueira da mesma canção.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um outro 11 de setembro: o da América Latina

Inevitavelmente, um dos eventos históricos que foram lembrados e relembrados pelos grandes meios de comunicação no último 11 de setembro foi o episódio do World Trade Center, nos EUA.
De uma maneira mais discreta, alguns noticiaram sobre o 36º aniversário do golpe militar no Chile, fato bem mais próximo de nós do que o primeiro, não desmerecendo o ataque às torres gêmeas como fato jornalístico e histórico, claro.
Em ambos os episódios havia conflito de interesses. Em ambos, morreu muita gente. Em ambos, várias famílias e sonhos foram despedaçados. Só que em um, a "pirotecnia" e o local em si impressionou mais.
Duas sugestões de breves leituras, ambas em português, sobre o golpe militar do Chile:
Crédito da foto: Humberto.

domingo, 5 de abril de 2009

Grupo no Facebook defende a paz entre peruanos e chilenos


Em meio a minhas leituras da versão digital do jornal "El Comércio", lá de Lima, Peru, encontrei esta matéria . Ela me empolgou a tal ponto que estou quase entrando para o Facebook a fim de engrossar o coro para a nobre causa, apesar de estar visitando pouco, atualmente, até mesmo meus Orkut e Hi 5.

O resumo da história é o seguinte: jovens abriram, no Facebook, dia 28 de março, uma comunidade chamada "Peruanos y chilenos cansados de esa rivalidad estúpida”, para incentivar a paz entre os dois povos. Em uma semana, a comunidade já tem mais de nove mil membros e seus próprios criadores estão surpresos com a repercussão. A partir dessa iniciativa, também já nasceu um blog chamado "El Rincón de Peruanos y Chilenos". Hoje minha metade peruana e minha porção inteira planeta Terra vai dormir feliz. Não deixem de ler a matéria e de conhecer esse blog!

Um recadinho a muitos jovens por aí: porque em vez de marcar briga pelo Orkut vocês não bolam algo parecido com isso, hein?

Link da matéria do Jornal "El Comércio"

Link do Blog.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Virei fã dos encantadores cachorros chilenos - Parte II

Cachorro de rua (!!!) no Cerro San Cristobal, em Santiago do Chile.
Cachorro vigilante da Quinta Vergara, cuidando do anfiteatro no qual
ocorrem os famosos festivais de Viña Del Mar.
Um dos cachorros patagônicos, que eu apelidei de "cachorro polar",
no sopé do vulcão Villarica, perto de Pucón.

Acho que querem comer minha empanada!

O cachorro"devorador de empanadas" me arrancou muitos risos. Estávamos eu e Humberto sentados num banquinho de uma praça na orla de Viña Del Mar, curtindo o cair da tarde e comendo umas empanadas. Dali a pouco, vejo, ao longe, um simpático Bulldog passeando com seu dono. De repente, o bicho me vê e começa a caminhar em minha direção, numa linha reta. Pareceu até coisa de desenho animado: a carinha do Bulldog ia aumentando, aumentando...quando chegou na minha frente, não fez cerimônia: ficou em pé, com as duas patinhas dianteiras apoiadas em minhas pernas. Imediatamente seu dono, constrangido, ralha com o cão dizendo: " malcreado!" e o leva para longe dali. O pobrezinho, provavelmente, estava doido para ganhar um pedaço de minha empanada. Comer ração o tempo todo deve ser muito chato.

E os cachorros carentes? Maioria absoluta nas cidades nas quais passamos, são um show a parte. Muitas vezes, você está caminhando devagar, ou parando para ver uma vitrine e lá vem o bicho, te empurrando de mansinho e em seguida deitando no chão para você fazer carinho. São uns fofos! Umas duas vezes me aconteceu também de estar sentada num banco e aparecer um cachorro que literalmente deitou nos meus pés. Um deles até começou a cochilar, usando-os como almofadas....me diz quem tem coragem de levantar do banco numa situação dessas?
Os "cachorros vigilantes" também são fáceis de encontrar. É curioso, pois parece que eles escolhem um lugar que gostam e ficam por ali, parecem verdadeiros cães de guarda. Aliás, teve um, muito bonito, que fiquei em dúvida se era "contratado" do lugar ou se ficava lá por gosto: o que estava confortavelmente instalado numa das arquibancadas do Anfiteatro da Quinta Vergara, aquele no qual acontece o Festival de Viña Del Mar.


O "cachorro polar", na verdade é patagônico: uma vez estávamos sobrevoando de teleférico uma área do sopé do vulcão Villarrica, perto de Pucón, quando avistei em meio à neve um cachorro escuro peludão caminhando por ali. Disse então ao Humberto: "Esse aí parece um cachorro polar!". Cada vez então que via outros cachorros na neve, dizia que era o tal "Cachorro Polar"...
Porém, para mim, o cachorrinho mais tocante nem foi no Chile, mas na Argentina, lá na rodoviária de Bariloche...o de expressão mais triste que já vi na vida, por culpa da fome. Tão triste que até tive impressão de estar ouvindo um tango bem dramático de fundo, quando encontrei com ele. Fiquei com tanta pena que demos uns amendoins ao bichinho, que foram devorados de maneira automática. Sua carinha era tão triste que não tive coragem de fotografá-lo.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Virei fã dos encantadores cachorros chilenos - Parte I

Nosso cachorro guia turístico em Puerto Varas.
Cachorro fashion em Valparaíso, no Chile.

Cachorro de rua na praça do Palácio de La Moneda, em Santiago do Chile.

Gente, e por falar em bichos, acabei esquecendo nos rascunhos dois textos que havia escrito depois de ter voltado do Chile ano passado. Resolvi ressuscitá-los agora. Ambos são sobre os lindos cachorros chilenos. Lá vai o primeiro...

Uma das coisas que mais me chamou a atenção no Chile é a quantidade de cachorros nas ruas. A maioria deles bonitos, bem peludos e com algum charme próprio. É até difícil enumerar os perros os quais apelidei por lá: cachorro "miss", cachorro maluco, cachorro "lombada canina", cachorro "guia turístico", cachorro" fashion", cachorro "devorador de empanadas", cachorro carente (a maioria deles), cachorro vigilante, cachorro "polar", entre tantos outros...

O cachorro "miss" era um todo elegante, preto, com detalhes brancos nas patinhas, que costuma atravessar e "desatravessar" a rua a todo momento perto do sinal da Avenida Alameda, bem próximo ao Palácio La Moneda. Pelo jeito, ele queria mesmo era se exibir, tanto para os turistas, como para os moradores de Santiago. O cachorro maluco ou "lombada canina" era um que ficava também naquelas proximidades, latindo para os carros que passavam, praticamente se jogando na frente deles. Parecia querer evitar que os motoristas corressem demais.

O "Guia Turístico" era um tipo bem fácil de encontrar: achamos vários e em cidades diferentes. Lembro-me especialmente de um na cidade de Puerto Varas que passou mais de uma hora nos seguindo, ou melhor, nos guiando. Estávamos fazendo uma longa caminhada em torno do Lago, com nosso novo amigo. Às vezes ele disparava na nossa frente para sentar-se lá adiante e descansar um pouco. Quando passávamos ao lado dele, voltava a andar na nossa frente. Somente nos largou quando encontrou outro cachorro (ou cadela?). Acho que muita gente pensou que fôssemos seu dono.

Também vi vários cachorros "Fashion", com seus modelitos de inverno. Um que me chamou a atenção em especial foi o que encontramos numa Feira de Artesanatos no Porto de Valparaíso. Estava lá, sossegado, portando um pequeno cachecol em seu pescoço.

(Continua amanhã)

Crédito da foto: eu mesma.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hoje faz 42 anos que Violeta Parra morreu


Hoje faz 42 anos que Violeta Parra morreu. Visitar seu túmulo foi um dos momentos especiais para mim na ida ao Chile, ano passado, assim como foi encontrar o túmulo de Vitor Jara. Aliás, aquela visita ao Cemitério Geral de Santiago foi uma situação de paradoxos: um lugar que carrega consigo, naturalmente, muita tristeza e lembranças pesadas para muita gente mas que, de repente, me fez entender um pouco mais e de maneira contundente o significado da vida que brota com a morte...

Uma das músicas mais conhecidas de Violeta no mundo inteiro é "Gracias a La Vida", já gravada por muitos cantores. Não tenho certeza, mas talvez a interpretação mais famosa dessa sua canção seja a da argentina Mercedes Sosa.

Violeta: cantora, compositora, costureira, artista plástica, folclorista...infinitos talentos de uma grande mulher chilena! Quem quiser conhecer um pouco mais sobre ela, é só dar uma chegadinha no link marcado no seu nome.

Crédito das fotos: Humberto

sábado, 24 de janeiro de 2009

MOAI ou TOAI? Capítulo 3 (final)

Este pode ter sido o exato momento em que as chaves teriam
saído do bolso de Rui na deliciosa praia de Anakena.
German, Vivian, o Taxista e Jimny, sem bateria...


Por Rui Samarcos Lora

O problema é que essa história não pode acabar bem. Tudo ocorre de maneira muito imprevisível em minha vida. Por exemplo, minutos atrás uma xícara de café caiu na minha roupa, enquanto estava no computador escrevendo essa história, fazer o que? Acontece!

Bom, depois de muito esforço da banda, não conseguimos dar partida no carro, mesmo com a força dos guerreiros de Matato’a. Por incrível que parece, a palavra Matato’a significa guerreiros, no idioma local. Lamentavelmente não fizeram jus ao nome enquanto enfrentavam o poderoso Suzuki Jimny 1999, o terrível monstro enfeitiçado de Rapa Nui.

Recorri a uma força especializada. Em frente ao hotel em que estava hospedado havia o Corpo de Bombeiros. Bom, já que estava ali, 01:00h da manhã, porque não tentar? Afinal, meus amigos estariam as 06:30h me esperando para ver o sol sair, precisava dar um jeito na situação. Ao chegar no Corpo de Bombeiros, o comandante, Senhor Juan Carlos, que fora do prédio estava, me informou que o Corpo de Bombeiros só atende a emergências e que aquela não era uma emergência. Sem dúvida, para eles não era, já para mim...

Não tive outra solução, fui para o hotel tentar convencer o guarda de lá a pegar o carro do dono do hotel para rebocar o meu carro ou dar uma carga. Obviamente que o guarda não se mexeu. Então tive de esperar o horário combinado para informar aos meus amigos sobre o ocorrido. Ficariam chateados, sem dúvida alguma. Dormi as poucas horas que me restavam e fui a pé, às 06:30h, até o local combinado do encontro: a igreja da cidade.

Uma coisa que não sabia era que o povo chileno é muito solidário. Germán e Vivian não pensaram duas vezes quando disse que o carro estava com problemas, nem brigaram comigo porque tinha deixado os faróis acesos. Pararam um taxi na rua e convenceram o motorista a nos ajudar. O taxista, que também era chileno e ali morava, nos colocou dentro do carro e nos levou até o Jimny, cujo os vidros estavam todos embaçados por conta da garoa da madrugada. O taxista amarrou um fio improvisado no seu carro e no Jipe, nos levou para uma ladeira, colocou o Jipe em segunda marcha e deu partida no carro.

A primeira coisa que fiz foi desligar os faróis, assim que ele havia dado partida. Dei uma boa “proprina ” ao taxista e fomos no escuro ver o sol. Conseguimos chegar em um lugar onde se podia ver o amanhecer, mas não em Tongariki, pois não haveria tempo suficiente. Foi muito bom, a companhia de Germán e Vivian é muito agradável, com eles pude conhecer toda a Ilha.

Entretanto, este não é o final da história. Ainda não aconteceu tudo o que tinha que acontecer com Forest por conta da TOAI. O calor era muito, 32°, a Ilha não tem árvores, foram todas desmatadas e os locais onde estão as reflorestadas ficam bem longe de onde estava. Por essa razão tive uma brilhante idéia: “porque não tomarmos um banho na maravilhosa praia de Anakena? As águas são cristalinas, a praia é linda e o calor favorece!”. Excelente idéia. Partimos para lá e lá ficamos, literalmente. Eu tirei “tudo” do bolso e cai na água. Aproveitei o mar por mais ou menos 40 minutos até Germán me pedir a chave do Jipe porque queria tirar alguma coisa, que não me lembro, de lá de dentro. Eu disse: “a chave está na mochila, com a Vivian, pode ir lá, não tem problema”. Ele olha pra mim e diz que a chave não está lá, que já reviraram tudo e que a chave estaria no meu bolso.

Naquele momento via minha vida passar em minha cabeça: meu nascimento, minha primeira queda, o dia em que perdi um dente, quando quase me afoguei em Guarapari-ES, quando fiz xixi nas calças na colação de grau, quando levei um tapa de uma garota porque havia apertado a bunda dela na escola, enfim, era o filme da minha vida ao vivo. Após “o filme” percebi que as chaves do Jipe já estariam perto de Papete, no Tahiti, não haveria possibilidades de encontrá-las mais. Saí desesperado da água e meus amigos, como bons chilenos esperançosos, me encorajaram a procurar. Eu, como sempre, muito “otimista”, disse que nunca mais veríamos tal chave. Outros chilenos que estavam na praia me perguntaram se procurava algo e se dispuseram a me ajudar, fiquei impressionado com a gentileza.

Disse a Germán que o melhor a fazer era voltar ao povoado e pedir a cópia da chave, claro que teria de pagar por isso, mas era melhor do que não conseguir entregar o carro a tempo. Já dá para se ter idéia de que comi as unhas da mão e do pé e fiquei sem o jantar, pois só de taxi gastei dinheiro suficiente para comer uma boa lagosta acompanhado com vinho chileno, nem gosto de lembrar!

Voltei com a cópia da chave na mão. Para minha surpresa me deparei com pessoas que nem conhecia e que me perguntavam se eu tinha resolvido o problema, se tinha conseguido a cópia da chave. Achei estranhíssimo, pois não havia comentado nada com eles. Como se não bastasse, ao avistar a areia da praia, percebi que quase todos estavam procurando a chave, foi uma cena muito curiosa, ver do alto as pessoas procurando um “tesouro” na praia. Eu tive a sensação de ter estragado as férias de muitas pessoas naquele momento. A minha sorte é que eles não sabiam que estavam procurando a chave para um sujeito atípico, o Forest Gump brasileiro, porque senão, não teriam nem se oferecido para isso...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MOAI ou TOAI? - Capítulo 2

Por Rui Samarcos Lora

Agora sim, depois de muitas fotos bem tiradas, verdadeiras capas de revista, tive uma “brilhante” idéia: tirar foto do amanhecer na Ilha de Páscoa. Precisamente na frente do Ahu Tongariki, uma plataforma com 15 cabeças de mais de 10 metros de altura. Como o sol sai por trás das cabeças no amanhecer, a foto seria formidável, sem contar que o visual do local é fantástico. Para isso seria necessário alugar um carro, pois a plataforma estava a 30 minutos de carro do povoado de onde estava hospedado, Hanga Roa.

Isso não era problema, já tinha ficado três dias sem almoço e comi pouco no jantar. Havia dinheiro para alugar um carro por 24 horas, tempo necessário para pegar o carro a noite, acordar, ir para Tongariki, tirar a foto, aproveitar o carro e devolvê-lo. Claro, isso se eu tivesse um carma como o de todo mundo. Então, aluguei um Jipe chamado Jimny, ano 1999, o carro estava um pouco acabado, mas era o que o dinheiro dava. Combinamos de nos encontrar no outro dia, às 06:30h da manhã para assistir e fotografar o sol.

Como estava com o carro, resolvi aproveitar para ir em um show típico Rapa Nui, de um grupo chamado Matato’a. Como todo jovem, quis ir de carro para causar uma impressão. As turistas me veriam de carro e logo pensariam: “nossa, ele conhece bem a Ilha, está de carro, talvez poderíamos nos aproximar dele”. Rapidamente teria de duas a quatro garotas comigo na Ilha, teria resolvido o problema da solidão em grande estilo. Realmente isso aconteceria se fosse com outra pessoa, não comigo.

Eu não estava totalmente enganado. Causei uma certa impressão ao chegar no show falhando a marcha do Jipe e isso fez com que uma senhora se aproximasse de mim, o detalhe é que ela tinha quase o dobro da minha idade e já tinha netos. Era uma israelense, que tinha feito amizade comigo no aeroporto, antes de chegar na Ilha. Ela ficou muito impressionada pelo fato de estar de carro, especialmente porque era um modelo velho e pelo fato de eu estar arranhado a marcha. Ela não se importou muito porque queria me apresentar alguém. Logo pensei: “é a neta dela!”. Claro que não, era a amiga dela, da mesma idade, que também tinha vindo de Israel. Sentei, relaxei e aproveitei a companhia.

Depois do show, que por sinal é muito bom, elas me convidaram para tomar um drink em um bar típico da Ilha. Sem pensar duas vezes topei, mesmo sabendo que teria de acordar cedo no outro dia para ver o sol nascer. Tudo daria certo se eu não tivesse o apelido de Forest Gump, se coisas inusitadas não acontecessem comigo. Quando corri para dar partida no meu Jimny ele não quis ligar. Disse a elas que teria um problema e que me esperassem no bar, pois poderia demorar.

Voltei ao local do show e pedi ajuda ao pessoal que alí ainda estavam comemorando alguma coisa que não sei bem o que era. Afinal, para os nativos da Ilha tudo é motivo para se comemorar. Eles primeiramente me disseram que eu merecia ter ficado com o carro sem bateria, pois não tinha responsabilidade e havia deixado os faróis acessos. Puxa! Eu nem sabia disso, nem me atentei para o fato de desligar os faróis. O bom foi que depois de terminarem a cerveja deles começaram a empurrar meu carro, me senti um pouco constrangido ao ver a banda empurrar meu carro, mas como tive de esperar até a cerveja deles acabar, não fiquei preocupado, nem se lembrariam do ocorrido no outro dia.


Continua amanhã

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

MOAI ou TOAI? - Capítulo 1

Por Rui Samarcos Lora

Viajar de férias nem sempre é uma tarefa fácil. É necessário muito planejamento, poupar e planejar gastos, contar com a paciência, com o tempo, prever acidentes e estar preparado para qualquer tipo de problema. No meu caso, isso já é uma rotina, pois nasci com uma espécie de “dom”, que aqui vou chamar de TOAI - tendência para ocorrência de acontecimentos inusitados. Parece que minha vida faz parte de um roteiro de filme de cinema e nem sempre é de comédia, talvez seja por essa razão que meu apelido seja Forest Gump.

Pois bem, desta vez, decidi tirar férias e ir conhecer a famosa Ilha de Páscoa, Rapa Nui, como dizem os nativos de lá. A escolha se baseia na minha vontade de fugir um pouco do caos da cidade, das pessoas, das preocupações, dos problemas, queria relaxar, descansar minha cabeça, ouvir os pássaros, ficar longe do telefone e da televisão. Assim, fui rumo à Ilha que fica a cinco horas de avião da cidade de Santiago do Chile. Realmente, queria me isolar.

Ao chegar em Rapa Nui me deslumbrei com tudo, digo, com nada, pois não há nada na Ilha além de muita água e de centenas de cabeças de pedra, chamadas de MOAIS. Estava com o dinheiro contato para uma semana, mas quando percebi que tudo na Ilha era três ou quatro vezes mais caro do que no Chile, cheguei a conclusão que eu tinha de seguir o conselho de um senhor que encontrei no aeroporto: deixar as unhas crescer. Segundo ele, com as unhas grandes, teríamos o que comer e como poupar dinheiro, ou seja, comeríamos unhas lá!

Viajar sozinho é um problema, pois não nos sentimos seguros para fazer muitas coisas, explorar lugares desconhecidos, conhecer pessoas novas ou até mesmo ir a praia. No caso da praia menciono porque pessoas como eu que costumam levar protetor solar, barraca, computador, câmera fotográfica, lanchinho, caneta, bloco de anotação, amuleto da sorte, lapiseira com borracha na ponta e até revista em quadrinhos, não tem com quem deixar as coisas antes de dar um mergulho no mar. De toda forma, o meu problema dessa vez não foi com as coisas em si, porque eu não queria tomar banho. Na verdade, tive problemas em tirar foto comigo mesmo, ou seja, eu tirava fotos mas não aparecia nelas, porque não tinha quem tirar pra mim. Muitas vezes tinha de equilibrar a câmera em uma pedra completamente torta, sair correndo para o local e torcer para sair centralizado na foto, com a paisagem e ereto, sem ter de me curvar para caber na foto, por conta da pedra que nem sempre está na altura de um ser humano.

O bom é que não precisamos mais de revelar as fotos, pois o que mais tenho no computador são fotos tronchas, tortas, faltando minha cabeça, desfocada, fotos do meu tênis, com partes do meu corpo e do céu (o céu aparece quando a máquina cai no chão. Depois de 15 a 20 fotos assim, consegui encontrar um casal chileno muito simpático que procurei rapidamente fazer amizade.

Eu tenho várias teorias, uma delas é sobre amizade. Creio que a amizade nada mais é do que uma troca de favores. Ficamos amigo das pessoas porque temos interesses e necessidades, é como aquela história “uma mão lava a outra”, geralmente contada pelas avós. Bom, eu fiz minha amizade e consegui o que queria, fotógrafos profissionais para tirar minhas fotos. Eram profissionais mesmo! A garota, Vivian, trabalhava como fotógrafa de um museu em Santiago, e seu namorado, Germán, era advogado. Sem dúvida alguma, se tornaram grandes amigos que não me esquecerei facilmente.


Continua amanhã...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

"A casa do Neruda tem até loja!"

Gosto de lembrar com frequência os bons momentos vividos no friozinho do Chile, em julho. Uma das coisas mais engraçadas era observar as crianças brasileiras, que estavam por ali de férias com seus pais.

No alto do Cerro San Cristobal, em Santiago, um garotinho, de mais ou menos 8 anos de idade, chega ao pipoqueiro e pede, em português:

"Moço, quero pipoca doce!"

Em seguida, sua impaciente irmãzinha, que aparentemente era um pouco mais nova que ele, repreende:

Em primeiro plano a "loja do Neruda", com os vários pisos da 'La Sebastiana' ao fundo
foto: Humberto Gloor

"Seu imbecil, é outra língua!"

Já na cidade de Valparaíso, enquanto visitávamos La Sebastiana, uma das casas de Pablo Neruda, escutei um menino falando a seu pai:

"Nossa, aqui então é a casa do Pablo Neruda...que legal, tem até loja!!!"

E viva a ingenuidade infantil!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

35 anos da morte de Victor Jara

Quase todos os espaços próximos ao túmulo são ocupados por algum tipo de homenagem
Um dos momentos mais emocionantes, para mim, na viagem ao Chile, foi nossa visita ao Cemitério Geral de Santiago. Jurei a mim mesma que não voltaria ao Brasil sem antes visitar os túmulos de Victor Jara e Violeta Parra. Por sorte, foi muito fácil ir ao Cemitério: há uma estação de metrô que desemboca já praticamente dentro desse lugar. Difícil mesmo foi achar o túmulo do Victor. Porém, com a ajuda de alguns funcionários do cemitério, sempre muito solícitos, nós o encontramos.


O banquinho: homenagem útil!
Na esquina da Avenida México com a Rua Los Retamos, bem próximo ao Pátio 160, está o túmulo de Victor Jara. Quando o achamos, fiquei emocionada e tive uma estranha sensação. Era quase como se eu o estivesse encontrando vivo. Sentei-me para fazer uma oração e não conseguia formular frase alguma mentalmente, num primeiro momento. Só olhava para aquele túmulo, rodeado de flores, bilhetes, cartas, homenagens várias de seus fãs. Até uma cadeirinha de corino branco havia sido fincada perto dali, com uma dedicatória de algumas fãs escrita a caneta. Tudo muito simples e contundente. Como ele.


Admirando a eloquência da simplicidade...
Queria bater uma foto na qual aparecesse claramente seu nome com as datas de nascimento e morte. Por isso, a eterna desajeitada aqui fez uma tentativa de mudar um jarrinho de flor de seu lugar, um estreito cantinho de cimento, ao lado do túmulo...quase derrubei o jarrinho. Era mais pesado do que aparentava. Depois desse quase desastre, deixei quieto e fiz algumas fotos "ao natural". Afinal, o melhor mesmo era mostrar seu nome abarrotado de flores, do jeito que estava. Depois, me deu vontade de deixar algo lá. Olhei em torno e descobri numa lixeira várias ainda em bom estado. Tirei algumas dali e coloquei ao lado daquelas que eu quase derrubei. Disse mentalmente a Victor: "Olha, desculpa, Victor...vim pra cá de mãos vazias mas queria te dar algo. Resolvi tirar da lixeira essas flores que ainda estão bonitas e coloridas e deixá-las aqui contigo, para simbolizar aquelas flores eternas, que não murcham e perdem o viço, que você, talvez sem saber, tenha espalhado pelo mundo afora, não só pelo Chile... ".


Saí do Cemitério diferente, com uma estranha sensação de paz. Podem me chamar de louca, mas tive a impressão que Victor sorria para mim.


Tentaram calá-lo, mas sua voz se fez mais forte em outras vozes mundo afora!





Crédito das fotos: Algumas, Humberto, outras Silvana.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

35 anos do Golpe Militar no Chile

Hoje faz 35 anos do golpe militar no Chile. Fica como sugestão de leitura um artigo sobre a data no site da alemã Deustche Welle e como sugestão musical "Aunque los Pasos Toquen", canção baseada em poema de Pablo Neruda, cantada pelo grupo chileno illapu.
Aunque los pasos toquen
Mil años este sitio
No borrarán la sangre
De los que aquí cayeron
Y no se extinguirá
La hora en que caíste
Aunque miles de voces crucen este silencio.

La lluvia empapará
Las piedras de la plaza
Pero no apagará
Vuestros nombres de fuego
Mil noches caerán
Con sus alas oscuras
Sin destruir el día
Que esperan estos muertos.

El día que esperamos
A lo largo del Mundo
Tantos hombres el día
Final del sufrimiento

Aunque los pasos toquen
Mil años este sitio
No borrarán la sangre
De los que aquí cayeron
Y no se extinguirá
La hora en que caíste
Aunque miles de voces crucen este silencio

domingo, 7 de setembro de 2008

Porque estou rindo? Falta de juízo...

Reencontrei essa foto tirada na cidade de Pucón. Eu me perguntei porque estou rindo aí, ao lado desse cartaz que orienta sobre quais os caminhos de evacuação da cidade, caso o vulcão Villarica entre em erupção. Certamente, se isso acontecesse enquanto estivéssemos lá, não ficaria com esse sorriso na cara...Já Humberto é louco para presenciar uma "amostra grátis" de comportamento vulcânico. Ainda bem que só vimos a fumacinha saindo da cratera e nada mais. E pensar que, por causa dele, subimos metade do Villarica...só consigo chegar a uma conclusão: nós não temos juízo mesmo!