domingo, 30 de agosto de 2009

Confissões de uma estudante de violino


Uma das músicas que estou estudando atualmente é um trecho das Bachianas nº 5, de Villa-Lobos. Quando comecei violino, pensei: uma das que faço questão de aprender é essa. Desde o semestre passado, resolvi que iria encará-la de frente e pedi ao professor Kalley Seraine para me passar uma partitura dela. Pouco a pouco, fui entrando em seu universo, degustando notinha por notinha como quem toma um bom vinho numa noite fria. Fui me dando conta da complexidade dessa música, composta por trechos com compassos diferentes entre si e vários acidentezinhos. Uma criação nada óbvia de um gênio brasileiro da música.

Com o passar do tempo, minhas mãos e meu cérebro vão chegando num acordo (eita briga ferrenha essa!) para produzir a parceria de Villa-Lobos com a Sil. Sim, cometo a ousadia bakthiniana de dizer parceria pois acredito que, mesmo reproduzindo uma música criada por outra pessoa, acabo imprimindo minha interpretação pessoal nesse fluir não só de sons, mas também de imagens evocadas por eles. É uma aventura difícil, que requer disciplina, teimosia e muita vontade de fazer, mas intensamente fascinante.

Costumo pensar uma música que estudo como uma bela peça de tricô ou crochê, que vai sendo tecida dia após dia ou como o antigo processo de revelação fotográfica no laboratório, no qual a gente vai chacoalhando a bandeja repleta de produtos químicos e a imagem vem aparecendo gradativamente no papel ao fundo do recipiente: a "apoteose" da obra vem aos poucos.

No início, a gente vai se acostumando com as notas como se fossem pequeninos e poderosos seres....depois, de tanto praticar, começa a ter intimidade com a música e a "domar" esses seres, aparentemente rebeldes. Aí então, vai percebendo na música suas frases, suas perguntas, suas respostas, enfim, seu diálogo interno, seu diálogo com quem a está interpretando e depois com o público.
Como diz minha amiga Rose, de São Paulo, "Aprender violino é arrebatar-se do cotidiano e aproximar-se do divino".

Crédito da foto aqui.

9 comentários:

Rose de Sampa disse...

Desconfio que não é por acaso que nas representações pictóricas ANJOS tocam VIOLINOS!
Desde o som que nos leva às ALTURAS até seu desenho harmonioso e delicado.
Há algo deificante nesse mágico fazedor de sons: o violino!

Nanda Botelho disse...

Estudar é abrir a mente, estudar música é abrir além da mente a alma.

Parabéns!

Stella disse...

Sil, admiro muito vc por estudar violino. Acho lindo, porém difícil. É só para pessoas realmente talentosas.
Sil, quando ouço as Bachianas n°5 fico arrepiada. Gostaria muito de ouvir vc tocando.

Fabiana disse...

Toda, toda, hein?! :-P
Qdo for se apresentar novamente, chame!!!! :-D

Índia disse...

Parabéns! Imagino que seja um dificil mas gratificante desafio.

Beijossss

Kleiton Ramil disse...

Sil,


Lindo o texto sobre o violino. Fico orgulhoso de teres avançado tanto.
Parabéns...


Bjs


Kleiton Ramil

Daniel Savio disse...

Você é esforçada, isto que importa...

Mas quando realmente os pequenos seres, tenta gravar para colocar na músicas do tocador do teu blog...

Fique com Deus, menina Sil.
Um Abraço.

Débora disse...

Que legal seu post, Sil!!
Adorei a sua metáfora dos "seres" que são "domados". Ótima!!! E parece isso mesmo, aquelas notinhas e linhas e compassos, etc!!!

Quando for apresentar o fruto de seu empenho momentâneo, chame a amiga aqui, vou assistí-la com muito gosto!!!

Beijoo grande!!! =)

Roberto RR disse...

oi, quando falam de violino é comum ouvir alguém dizer que violino é para pessoas realmente talentosas, (como li em um comentário acima) como se tivesse a intenção de classificar quem toca ou estuda violino como sendo seres superiores segregando todos os outros que optaram por outros instrumentos, realmente violino é muito difícil de se aprender principalmente pra quem não tem musicalidade mas nada que o interesse e a perseverança não resolva, conclusão qualquer um pode aprender a tocar, basta querer!